A Fase de Transição

por Cláudio Bertolino 

Existe uma fase, ao final da temporada de treinos e provas, que tanto os profissionais quanto boa parte dos corredores amadores cumprem; chamada de Transição. Aplica-se tal fase ao individuo submetido a um processo sistematizado de treinamento por temporadas subsequentes.

 

Transição é a solução de continuidade do processo de treinos; fase que consiste no merecido descanso da rotina das atividades de corredor, mas ideal quando cumprida com atividades físicas visando a manutenção mínima das capacidades gerais adquiridas ao longo da temporada de treinos (resistência cardiovascular, força e flexibilidade). A transição tem duração de 2 a 4 semanas, com baixo volume e intensidade, e realizada com exercícios aeróbios inespecíficos, ou, diferentes do esporte praticado.

 

Para o caso dos praticantes de corrida, recomendam-se esportes como a natação, ciclismo, remo, caminhada e jogos desportivos, 2 a 3 vezes por semana e para a categoria de amadores, pode-se aplicar transição àqueles que correm mais de três vezes por semana, com volume acima dos 30 km, e que fazem uso dos treinos intensos.

 

A melhor época para a transição respeita o calendário das maiores metas do atleta no ano seguinte, que comanda também a periodização: a melhor forma de distribuição dos tipos e quantidades das cargas de treinos por diferenciados ciclos durante a temporada, sendo que, o corredor amador brasileiro, geralmente cumpre a transição ao final do mês de dezembro coincidindo, convenientemente, com as festas e viagens de fim de ano.  

 

Trata-se ademais, de um período propício para as reflexões sobre o que foi a temporada de treinos e participações em provas; o que deu certo, o que precisa melhorar ou ser revisto e o que não seria bom repetir. É também uma ótima chance para fazer e organizar os planos da próxima temporada: projetar um calendário mínimo de provas, pensar nas eventuais viagens para correr.

 

A importância da Transição aumenta conforme aumenta a qualificação do atleta, a quantidade e empenho nas competições, o lapso de tempo entre as temporadas, o número de temporadas de treinamentos que se remontam, assim como o volume e a intensidade de treinos a que foi submetido.

 

A regeneração dos múltiplos sistemas orgânicos (musculoesquelético, imunológico, nervoso) e por consequência a prontidão para enfrentar a próxima temporada de treinos, explica a existência dessa fase, reconhecida como fundamental na ciência do treinamento desportivo e verdadeiramente relacionada à dedicação da temporada que se foi e à performance da próxima.

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