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  • Claudio Bertolino

Treino Bom e Treino Ótimo

Por definição temos que o Bom exprime adequação e o Ótimo, demasiadamente bom quanto à sua natureza, e após tanto tempo executando e observando sessões de treino de todo tipo dentro de duas especialidades, dentre várias, transitaremos por essas duas e interessantes escalas, Treino Bom e Treino Ótimo, para adotarmos seus conceitos e caracterizá-los.


Todo treino “gostaria” de ser perfeito, ótimo ao final, então é preciso a analise global atentando também para a esfera mental daquele que o realiza, a qual em determinadas fases pode sofrer com a rotina de numerosos treinos sem objetivos consistentes, embora no âmbito físico esteja tudo muito bem. A verificação desse panorama coloca a questão custo-benefício para os corredores amadores, se optaram pela saúde e qualidade de vida, onde a premissa seria somente os benefícios da prática, porém não aos amadores performáticos e profissionais, para quem o estresse mental em moderados ou altos níveis não tem o peso final.


Um treino ótimo, assim como a sucessão deles não se dá por acaso e sim pela aplicação da ciência do treinamento desportivo, experiência, bom senso e feeling de quem prescreve, e predisposição de quem executa, então muito importantes e bem vindas são as planilhas de treinos, facilitadoras para se conseguir o maior número de treinos de qualidade, registros e verdadeiros históricos do atleta seja ele profissional ou amador. Muito se detecta na análise de um arquivo de planilhas, e aqui vemos mais um bom motivo à sua existência, sobretudo daquelas que contém os devidos feedbacks, pois que, de um lado pode mostrar as prováveis causas de fadigas e declínios imunológicos abundantes ou lesões, do outro, como foi o processo que promoveu êxito na temporada de treinos. A planilha é a ferramenta mais valiosa no trabalho técnico porque é a grande chance dos acertos; é guardiã da individualização, é a alma do treino.


Devemos sempre que possível, investir em condições para realizar um treino ótimo considerando alguns fatores controláveis como: o melhor momento do dia em termos de temperatura, o estado nutricional e a qualidade do sono, focar nele como única opção e não se contentar com nada menos que um treino bom, e ainda assim se algo fugir ao controle será possível atingir no mínimo um treino bom ou regular, e a sessão não terá sido perdida.


Pode haver, veremos adiante nas suas características, uma sutil diferença entre essas duas classificações de treinos, mas é na somatória dos detalhes que os objetivos mais ambiciosos são atingidos, e quanto maior a performance do corredor amador ou profissional, mais claros seus objetivos e concreta a sua agenda de participação de eventos; maior será o peso de uma sucessão dos treinos ótimos, observando que um atleta não tem escolha senão pelos ótimos.


CONCEITOS

Treino Bom | Seria uma sessão de treino adequado na maioria de seus quesitos, como carga e benefícios.

Treino Ótimo | Podemos tê-lo como um treino muito bem ajustado em todos os aspectos.


CARACTERÍSTICAS

TREINO BOM

- Exequível | O corredor tende a identifica-lo como um treino que conseguirá realizar, podendo na prática se revelar no momento da execução como uma sessão de exigência pouco aquém ou ligeiramente além do que deveria. O primeiro requisito de um treino, a possibilidade de executá-lo, parece óbvio, mas não são raros os equívocos de dimensionamentos de carga que o torna impraticável, então é preciso cuidado na prescrição de cada um deles.


- Pode Ser de Caráter Geral | Um treino para uma modalidade qualquer ou para a corrida requer repetição de movimentos especializados e estímulos orgânicos direcionados. A aproximação ou o cumprimento de parte desses fatores pode classificar um treino como sendo bom.


- Consequências Adversas | O nível de agressividade e a coerência com o contexto poderá dizer muito sobre um treino, e bem observados todos os seus parâmetros, certamente um bom treino produzirá quando muito, consequências adversas fracas, como por exemplo as dores musculares moderadas.


- Existe um Ganho | Espera-se alguma evolução, ou ao menos um pequeno ganho de um treino bom, e projeta-se o mesmo para tal, embora isso seja expressamente difícil de mensurar, já que o ganho acontece somente horas após o estímulo e de maneira individualizada quanto ao seu nível.


- Pode Ser em Grupo | Não é possível ajustar um treino bom a um grupo de pessoas com diversos níveis de condicionamento, mas é possível aplicar treinos diferenciados aos indivíduos ou subgrupos de um grupo, atingindo se não todos, a grande maioria com um treino capaz de devolver alguns benefícios.


TREINO ÓTIMO

- Exequível | Muito bem dimensionado em termos de volume e intensidade, e bem ajustado nas condições adversas, um treino ótimo sempre poderá ser executado. Além do ajuste fino que o treinador consegue a cada sessão por conta de sua experiência e conhecendo seu aluno ou atleta, o treino ótimo é exigente, variavelmente requer um ajuste momentâneo para reequilibrar percalços como um clima adverso, um déficit nutricional, um leve mal estar, uma fadiga exagerada e outros, o que produz uma dinâmica interessante em torno dele, onde um treino pode ter nascido ótimo na prescrição, se tornado potencialmente apenas regular ou até ruim no momento da execução por alguma interferência, e se mantido como ótimo por uma intervenção a tempo.


- Surte o Efeito Esperado | O que se treina agora não é para agora, ou seja, é preciso algum lapso de tempo de assimilação para a obtenção dos benefícios de um treino, e que isolado surtirá pouco efeito porque será preciso também uma sequência de treinos ótimos, ainda que alternados com treinos de outras categorias para se atingir os resultados esperados, mas é certo que desse tipo de treino os resultados virão.


- Sem Consequências Adversas | Um treino nessa classificação não impõe uma carga demasiadamente agressiva, de modo que não lesiona, não provoca fadiga ou dores musculares excessivas, sequelas orgânicas ou estruturais de curto ou longo prazo e permite uma recuperação geral no tempo certo, o que possibilita o avanço na preparação sem qualquer perda de tempo por fatores controláveis.


- Dentro do Contexto | Para todos os níveis, mas quanto maior performance ou a busca por ela, a especialidade deverá ser considerada e os estímulos bem direcionados à modalidade. Um treino ótimo deve se manter no contexto o quanto puder em termos de movimento, intensidade e duração, para desenvolver as capacidades do corredor a contento e com segurança. Uma sessão de treino desarticulado da sequência dentro do processo, pode representar não somente a interrupção momentânea da evolução, o que já o desclassifica como treino ótimo, mas também um eventual retrocesso por perda de tempo para resolver problemas como fadiga e lesão, o que diminuiria ainda mais a sua classificação.


- Carga Individualizada | Um treino ótimo é destinado a um corredor, que poderá realiza-lo em grupo, e este, nunca composto de homogenia dos elementos em termos de genética, tempo de preparação e objetivos, terá realizado um treino assim desde que cada elemento seja atendido de maneira restrita, ou seja, cada um com seu treino muito bem ajustado. A individualidade biológica, aliás, como um dos princípios do treinamento desportivo, jamais poderá ser desconsiderada, em qualquer planejamento de treinamento físico.

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