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  • Claudio Bertolino

Os Princípios do Treinamento Aplicados à Corrida | Parte II

Adaptação

Os princípios aqui descritos, seis deles internacionalmente desde há muitas décadas reconhecidos e amplamente difundidos, e mais dois recentemente agregados, de tão importantes, são às vezes também chamados de leis ou fundamentos do treinamento desportivo. São as premissas a toda preparação física em todas as suas fases, são imutáveis, se aplicam a todas as modalidades esportivas, em todos os níveis de performance, portanto, de maneira consciente ou não e do jeito mais ou menos adequado, estaremos sempre esbarrando neles, e é imperativo a boa preparação se nortear por eles.


2- ADAPTAÇÃO

A adaptação é um dos pontos centrais das ciências biológicas, e a fisiologia do exercício, como procede a adaptação das condições aperfeiçoadas pelo exercício físico. É uma área do conhecimento científico que estuda como o organismo se adapta fisiologicamente ao estresse agudo do exercício, que o prepara para o estresse crônico do treinamento físico.


Para Weineck, “as adaptações biológicas no esporte, são as alterações dos órgãos e sistemas funcionais, que aparecem em decorrência das atividades psicofísicas e esportivas”. O organismo humano é mestre também nisso, haja vista que muito mais além, em sua capacidade de adaptação nas ultimas consequências, garantiu não somente a permanência e do mesmo modo a soberania neste planeta.


A adaptação ao processo de treinos tem seus detalhes e exigências:- demanda um mínimo de algumas semanas até se tornar crônica, não tem resposta concomitante dos diferentes órgãos e sistemas, é reversível, sem retenção orgânica, precisa de ratificação e é uma fase da resistência aos estímulos entendidos proporcionalmente como os mais estressantes no processo, então, cabe ao treinador agir com muita cautela.


No Pain, no Gain?

Parece comum ao longo do tempo para a maioria dos profissionais da atividade física, a estreita relação entre os estímulos adaptativos, as dores musculares, principalmente no trabalho de força, e a exaustão, principalmente nos estímulos aeróbios.


Flann e outros, em seu estudo sobre um trabalho de força de caráter adaptativo, compararam dois grupos aos quais aplicaram estímulos de diferentes magnitudes que, provocavam e não provocavam dores musculares respectivamente, conseguindo provar de maneira sintomática e bioquímica, que o ganho de volume e força muscular foi equivalente para os dois grupos, independentemente da presença dos danos musculares que provocam as dores musculares tardias.


Trazendo o assunto para o nosso caso, o treinamento da corrida de resistência, se um atleta experimenta dano e dor muscular na fase de adaptação, isso parece não ter nenhum impacto nos resultados quando o treinamento continua ininterrupto por meses ou anos, então temos que, o desenvolvimento dos principais pilares para se correr, a corrida e a força, pode finalmente estar dissociado das fortes dores iniciais, o que pode ser de certa forma frustrante aos adeptos do “No pain no gain”, mas que certamente indica limites bem mais seguros para a prevenção de lesões numa fase sensível, motivo pelo qual podemos aplaudir de pé o legado de Fann e seus colaboradores.


“Comum, mas desnecessária, a relação entre adaptação, dores musculares e exaustão”.


O Papel do Treinador

Convém ao treinador primeiramente, esclarecer tudo o quanto puder sobre os aspectos mais importantes desta fase, tratando de não deixá-la excessivamente agressiva, já que é muito ligada à continuidade do praticante: explicar a sua função e duração, como serão as reações orgânicas aos estímulos, que é preciso persistência e o que esperar dela. Uma boa leitura de feedbacks espontâneos e induzidos, e prudência na progressão das cargas prescritas, rumo aos próximos patamares de condicionamento, são ótimas condutas técnicas.


Fontes:

Flann et al. (2011) Muscle damage and muscle remodeling: no pain, no gain?

Weineck (1991) Biologia do Esporte

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