Luiz Antônio dos Santos

 

Perfil

Luiz Antonio dos Santos | Maratonista

Clubes & Cias – Arpoador/RJ | Flamengo/RJ | BM&F/Pão de Açúcar | Nike Internacional

Nascimento – 06/04/1964 | Volta Redonda/RJ

Fomação – Contabilidade | Nível 1 de Treinadores da CBAt (Conf. Bras. de Atletismo)

Trabalho – Gestor/Treinador | Equipe A.A. Luasa de Atletismo | Taubaté/SP

Conjunturas podem ser decisivas para a notoriedade. Assim, além da competência, mais uma vez é preciso estar no lugar certo na hora exata. 

Se você corre ou é entusiasta e ainda não conhece Luiz Antônio dos Santos, é caso de conjuntura somada à pouca memória que culturalmente temos para tratar nossos campeões.

 

Luiz Antônio começou tarde com os treinamentos especializados para corridas de fundo, aos 25 anos, pouco antes deparou-se com um sério problema na série branca do sangue que quase evoluiu para uma leucemia, e teve também uma arritmia cardíaca. Não esteve no pódio da São Silvestre, apesar de ter corrido mais de dez, nem brilhou em Jogos Pan-Americanos; uma boa combinação para ser no limite um atleta mediano, ou mais um corredor amador, o que para nós seria de bom tamanho, mas não para ele.

 

A década de 90 atestou que Luiz Antônio, percebendo sua facilidade para as maiores distâncias, trabalhando duro e aos cuidados do treinador Henrique Viana, seria um maratonista respeitado no mundo todo. Em 1993, após quatro anos de treinamentos direcionados, aconteceu o grande encontro e uma constatação, do atleta com sua distância de prova perfeita; estreou na maratona de Blumenau vencendo com 2h12’15”.

O quadro abaixo resume as façanhas do atleta...

...e a descrição de alguns detalhes mostrará melhor a dimensão delas

Em quase 40 anos de existência, desde 1977, a maratona de Chicago tem entre os homens apenas 1 tetra e 4 bicampeões, e Luiz Antônio é um deles. Esta maratona sempre foi das mais concorridas por vários aspectos, atualmente conta com 45.000 participantes de mais de 100 países e de todos os 50 estados dos EUA e as inscrições esgotam em uma semana, tem mais de 1.500.000 de expectadores e distribui altas quantias aos vencedores. Este mega evento, juntamente com as maratonas de Tóquio, Berlin, Londres, Nova Iorque e Boston (desde 1897), constituem o World Marathon Majors (WMM), a associação das principais maratonas do mundo, que com vários atrativos se tornaram o sonho de maratonistas amadores ou profissionais em participar de uma, ou de todas elas.

Dentre os poucos membros eméritos da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt, fundada em 1977), título concedido aos atletas brasileiros que obtiveram grande destaque em nível mundial, figura Luiz Antônio dos Santos, porque ele tem uma (bronze, maratona, Gotemburgo/SUE - 1995) das raras 12 medalhas conquistadas em campeonatos mundiais de atletismo outdoor para o Brasil, das 15 edições disputadas desde 1983; aliás, a única naquele campeonato e a única em provas de fundo. E o atleta tem mais uma medalha de nível mundial, bronze por equipe, no mundial de atletismo válido também como copa do mundo de maratona em Atenas 1997, quando individualmente foi o 5º melhor do mundo.

 

Ainda em âmbito mundial, uma décima colocação olímpica (Atlanta - 1996) é para poucos atletas brasileiros. Luiz Antônio subiu ao pódio das também concorridíssimas maratonas de Boston e de Fukuoka, além de ter sido recordista Sul-Americano (2h09’30”, Fukuoka/JPN - 1995), e tem a marca de 2h08’56” (Rotterdam/NED - 1997), que permanece entre as cinco melhores de todos os tempos entre os brasileiros.

O atleta Luiz Antônio não viveu uma carreira só de vitórias e conquistas; vivenciou dificuldades, conheceu de perto algumas derrotas extra pista, como problemas estruturais do esporte no Brasil, foi acometido de lesão acompanhada de desamparo, sofreu perda de apoio financeiro e afastamento de alguns amigos quando mais necessitava. Nunca esmoreceu, encerrou a carreira de atleta em 2005, cuja competência em volume no mais alto nível é de difícil paralelo, e sua relevante obra continua, agora como treinador/gestor de um grande projeto com atletas iniciantes e profissionais brasileiros e estrangeiros, onde já produz muitos resultados positivos e certamente pode, com toda sua bagagem, continuar indicando os melhores percursos rumo à cidadania e vitórias.

CCorrida - Existe algo na sua carreira que gostaria muito, perseguiu e não foi possível conquistar?

LuASa - Minha busca maior foi pela medalha olímpica, e depois que ganhei a medalha no mundial (1995) acreditei muito mais nisso. Não foi possível, mas ainda trabalho com este objetivo, agora como treinador.

 

CCorrida - Como surgiu, como funciona a estrutura geral da Luasa e sua relação com a prefeitura e com os estrangeiros?

LuASa - Surgiu primeiramente, com um convite de alguns atletas que perceberam que com minha experiência eu poderia treiná-los, e depois começamos a pensar em algo diferente; em montar a própria equipe. Isso tudo se uniu à oportunidade de trabalhar com os estrangeiros, então somamos tudo e começamos mesmo sabendo das dificuldades, mas pensando ser possível com muito trabalho. Depois de formado tudo isso e com o trabalho já mostrado, começamos a montar as categorias de base buscando parceria com a prefeitura, sempre com objetivo de fazer mudanças em tudo que estamos acompanhando por aí...e assim estamos hoje.

 

CCorrida - Fale das conquistas da equipe Luasa como treinador e gestor.

LuASa - Na verdade sou o gestor, o treinador, o psicólogo, comprador, design...enfim faço de tudo. Acredito que a Luasa já conquistou coisas que equipes no mercado há muito tempo ainda não alcançaram, mas estamos ainda na luta, na busca de mudanças para o atletismo, pois temos muito material humano, mas precisa que lá em cima exista um olhar diferente para o atletismo, porque assim, poderemos ser uma potencia. Nisso é que acredito.  

 

CCorrida - Há 30 anos atrás a proporção entre amadores e profissionais nas corridas era diferente. Há 15 anos atrás vc já alertava sobre a eventual ganância das organizações das provas acima de tudo. Como anda tudo isso atualmente?

LuASa - Olha, piorou, pois quem organiza continua ganhando muito dinheiro enquanto a elite continua desvalorizada, e isto cresceu tanto que virou só um negocio para quem organiza. Por isto acontecem até brigas entre as organizadoras. Vejo que a CBAt, a nossa entidade maior, assim como algumas federações também ganham muitos com isto, e eles, que poderiam fazer algo em favor do atletismo, não fazem.

 

CCorrida - Desde de 2001, o atletismo brasileiro tem um relevante aporte financeiro estatal. Muito se falou em projetos que alavancariam a modalidade pela entidade gestora. Na sua visão como ex-atleta e treinador de sucesso, porque não temos muito mais resultados expressivos tal qual os seus, a despeito de nosso substrato de alto potencial, vivendo ainda de valores pontuais?  

LuASa - Justamente, muito dinheiro, aí já viu...Outra coisa:- esta garotada de hoje não quer nada com nada, não tem compromisso, não enxerga longe ou muito além do seu nariz. Tem também os clubes grandes que não querem formar atletas e sim tirar de quem os formam, oferecendo dinheiro, porque pra isto eles têm, então o garoto se deslumbra, mas esquece de todo o trabalho para chegar ate ali. Neste caso a CBAt, nossa maior entidade não faz nada. 

Curiosidades

Luiz Antônio se quer participaria da primeira maratona internacional de São Paulo, em 1995, já que sua temporada, a melhor de todas, estava terminada e consagrada. Acontece que, um dos patrocinadores queria sua presença na prova, dado o momento do atleta e o prestígio que isso traria ao evento, então ficou acertado que Luiz correria 1 km apenas...Ele não só completou, como venceu a maratona.

Há uma semana da maratona de Fukuoka de 1995, o atleta passou por uma situação difícil; contraiu uma inflamação na garganta, que piorou com bolhas de sangue assim que ele chegou lá. Bem preparado e muito confiante, ele decidiu por manter a participação na corrida; “e deu no que deu” conta ele; venceu estabelecendo novo recorde Sul-Americano.

Maratona de SP 95' - Luiz Antônio (26), Daniel Lopes (81), Vanderlei Cordeiro (1)

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