Você tem tratado bem a sua corrida?                                                                                              
Você, em um relacionamento impessoal porém sério, às vezes conturbado e distante mas sempre tentando uma ótima convivência com ela, tem tratado tão bem a corrida quanto ela cuida de você?
                                           por Cláudio Bertolino                                                                                

A corrida está a nosso serviço, e quanto mais comprovados sua eficácia e benefícios, mais aumentamos o engajamento à sua prática.

É correto dizer:- A corrida é um meio e está a nosso serviço, forte aliada na tentativa de manter o equilíbrio do nosso estado de saúde auxiliando também na adequação estética individual, numa época em que o estilo de vida diminuiu drasticamente o movimento humano gerando sérias consequências, enquanto que outrora a preocupação dos poucos corredores era apenas chegar na frente.

 

Acontece que, tenho ouvido cada vez mais a locução “no tempo que sobra”. O tempo que sobra tem sido para muitos, aquele destinado à prática da corrida, a mesma que nos ajuda na redução da ansiedade e da depressão, e na melhora da auto-imagem e da auto-estima no campo emocional, e para falar só de alguns aspectos das esferas fisiológica, física e metabólica, melhora a composição corporal, a postura, o perfil lipídico e a sensibilidade insulínica, previne as dores lombares, promove o incremento da massa, força e resistência muscular, aumenta a densidade óssea e a ventilação pulmonar, diminui a frequência cardíaca de repouso e a pressão arterial. 

A falta de tempo tem sido a melhor justificativa para impor agressões ao nosso organismo.

O encaixe da corrida no tempo que sobra seria uma ótima estratégia de agenda, claro, principalmente àqueles com a sensação de que seu dia tem menos horas, acomodando uma tarefa das mais importantes naquele cantinho do dia, e pronto!...tudo resolvido...mas em muitas das vezes, naquele lapso de tempo o organismo encontra-se subnutrido, desidratado, fora dos horários propícios à prática esportiva, com privação do sono ou cansado demais, e numa condição ainda pior, com a associação de duas ou mais dessas variáveis.

 

Aquele treino que salva o dia, ainda que em condições desfavoráveis, pode ser melhor que nada, é verdade, até porque não são muitos os que possuem sempre as condições ideais para ir a campo, mas não custa analisar a profundidade das adversidades e as possíveis consequências, sobretudo a médio e longo prazo mediante a repetição desse padrão, porque a fatura orgânica será enviada, e às vezes sem aviso prévio da cobrança...Chega ali na hora, com a percepção de um treino mais difícil, de um corpo “amarrado”, com a pergunta: - Pra onde foi todo aquele prazer que tenho em correr? ...Ou será construída pouco a pouco para vir depois, na forma de desequilíbrio energético, que pode levar a vários níveis de fadiga resultando em consequências negativas para a saúde, de depressão do sistema imunológico, que pode deixar o organismo suscetível a um quadro infeccioso, ou aumentar os riscos de lesões.

 

Crônica ou pontual, estamos falando de uma agressão orgânica, e um rápido levantamento periódico desses pontos, uma avaliação da extensão e um realinhamento da situação certamente vão mudar as condições para melhor, e o indivíduo se valer ainda mais dos benefícios da corrida nossa de cada dia.

O hábito pela prática da corrida já pode ser aplaudido de pé, porque requer iniciativa e coragem para iniciar e disciplina para se manter, mas ao colocar seu organismo fora da zona de conforto, implica em que as questões preventivas não deveriam ser negligenciadas. Os eventuais desajustes poderão ser corrigidos por seu treinador e/ou por sua nutricionista.

 

No final das contas, bastam bom senso e cuidados no uso para seguir adiante sem sermos vítimas daquela que temos para nos fortalecer; a nossa estimada corrida, porque ela se porta tal qual o sol para Drummond: está a nosso serviço, porém não nos obedece. 

Fontes:

Rosane Frizzo de Godoy (2000)

Bruna Teixeira de Medeiros et al. (2011)

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